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O Castelo de Carbedo: a fortaleza medieval perdida no coração do Courel

11 de julho de 2026 · Equipo A Carbiña · 5 min

Imagina subir por um caminho de xisto, entre carvalhos e castanheiros que há séculos olham as mesmas montanhas, e de repente ver emergir entre a vegetação os muros de uma fortaleza. É isso que te espera no Castillo de CarbedoCastelo do Carbedo em galego—, empoleirado a 930 metros de altitude sobre uma colina que domina a Serra do Courel, na província de Lugo.

Não é um castelo de postal nem de rota turística massificada. É dos que guardam silêncio. Os seus muros de cantaria granítica, o torreão circular que ainda se mantém de pé com certa dignidade e o aljibe que ainda se pode reconhecer entre as pedras falam, sem palavras, de mais de quatrocentos anos em que este recanto da Galicia foi um ponto estratégico de primeira ordem para a Ordem de Santiago. Um dos monumentos medievais mais singulares e menos conhecidos da província de Lugo, e precisamente por isso, um dos que mais merece a visita.

Ubicación: onde fica o Castillo de Carbedo

O castelo ergue-se na freguesia de San Pedro de Esperante, dentro do município de Folgoso do Courel. Não está no fundo de um vale nem escondido numa floresta: assenta sobre uma rocha de mais de vinte metros de altura que aqueles que o construíram escolheram com critério militar claro, controlando visualmente uma boa parte da bacia do rio Lor. As coordenadas GPS são 42° 38' 07.9" N – 7° 07' 29.9" W, para o caso de quereres marcá-lo antes de sair.

Para chegar, a referência mais útil é Seoane do Courel: a partir daí toma-se a estrada em direção a Esperante/Visuña. A 1,5 km encontrarás uma bifurcação; segue pela direita e em mais 1,5–2 km verás o castelo sobre a colina, à tua direita. Não tem como enganar uma vez que estejas na zona.

A visita é livre todos os dias no verão.

Historia del Castillo de Carbedo: da Ordem de Santiago ao abandono

A doação de 1181: o nascimento documentado

Ninguém sabe com certeza quando se colocou a primeira pedra do Castillo de Carbedo. O que se conserva é o primeiro papel que o menciona: uma carta de doação datada de 25 de março de 1181, assinada em Villalpando, Zamora. Nesse dia, o fidalgo Nuño Peláez e a sua mulher Alda entregaram o couto —castelo incluído— a uma ordem militar que tinha apenas onze anos de existência: a Ordem de Santiago.

Não era uma doação qualquer. O historiador Julio Vázquez Castro, autor do único estudo monográfico sobre a fortaleza (El castillo de O Courel y la arquitectura militar de la Orden de Santiago en Galicia, Deputación de Lugo, 1996), diz o seguinte: Carbedo foi "a primeira posse realmente fortificada" com que contou a Ordem de Santiago na Galicia. Primeiro castelo galego de uma ordem que acabaria por ter presença em toda a Península.

Confisco real e recuperação (1198–1220)

A história inicial do castelo não foi tranquila. Entre 1198 e 1199, o rei Afonso IX de Leão confiscou a fortaleza e o seu couto. Os documentos não dão explicações, como costuma acontecer com os caprichos do poder medieval. A Ordem de Santiago recuperou Carbedo por volta de 1220 e não o largou até ao fim.

Com o tempo, entre os séculos XIV e XV, o castelo ficou sob a órbita da encomienda de A Barra, com sede em Coles (Ourense). A Ordem geria a partir dali vários castelos galegos: Guitiriz, Rocha de Narla, Tronceda e Oímbra, entre outros. Carbedo era mais um nesse mapa, mas não o menos importante.

Alcaides e função estratégica

O castelo não era um monumento: era um instrumento. Era governado por alcaides em nome da Ordem, e nos arquivos dos séculos XV e XVI sobreviveram os seus nomes: Juan de Montalvo, Pedro Vidal, Nuño de Moseyro, Alonso López, Maçia de Monseiro, Álvaro Pérez e Pedro Guillén. Pessoas reais, com comando sobre uma guarnição real, num lugar com uma função muito concreta.

Essa função era dupla: proteger o couto da Ordem na O Courel e controlar a rota comercial que cruzava as bacias dos rios Lor e Selmo, ligando o oriente de Lugo com o sudoeste de Leão. Quem controlava o Carbedo controlava a passagem. Vázquez Castro aponta, além disso, que a posição estratégica do local sugere que pode ter sido utilizado como atalaia já na época romana, muito antes de chegarem as ordens militares.

A cobiça do Conde de Lemos

Os séculos XV e XVI não foram tempos de paz para a nobreza galega. Após a guerra irmandiña, a fortaleza atraiu a atenção do conde de Lemos, Pedro Álvarez Osorio, que a ocupou e começou a cobrar os tributos do couto como se fosse seu. A Ordem de Santiago e os vizinhos protestaram perante a Coroa, e as suas queixas ficaram registadas numa cédula real de 1480. Mais um episódio dessa tensão permanente entre o poder feudal e as ordens militares que define boa parte da história medieval galega.

Como era o castelo: o que contam os visitantes do século XVI

Aqui vem um dos detalhes mais fascinantes da história de Carbedo. A Ordem de Santiago enviava periodicamente "visitadores" para inspecionar o estado das suas propriedades. E os seus relatórios —o mais antigo data de 1501— descrevem o castelo com uma precisão que permite imaginá-lo tal como era quando estava de pé:

  • A porta principal era a parte mais cuidada de todo o edifício, construída com blocos de xisto e cal de melhor qualidade que o resto.

  • Após cruzá-la abria-se um pátio de armas com aljibe próprio e cavalariça de madeira.

  • O interior albergava cozinha, forno, capela e os aposentos do alcaide.

  • A torre de menagem era quadrada, com dois pisos de madeira.

  • Entre 1508 e 1515 foi adicionado um torreão circular de três pisos: masmorra no rés-do-chão, aposentos de madeira e barro nos superiores.

  • O armamento documentado incluía bestas e um canhão tipo falcão.

  • Quando estava completo, o castelo devia assemelhar-se bastante a outras fortalezas da época em Os Ancares —Doiras, Doncos, Torés— e de El Bierzo, como Corullón, Cornatel ou Sarracín.

O abandono no final do século XVI

As últimas obras registadas no Carbedo são anteriores a 1558. Em 1582, a fortaleza estava já há um ano abandonada e em ruínas. O que se seguiu é previsível: os vizinhos da zona começaram a levar pedras, janelas e móveis para reparar as suas próprias casas. Não por maldade, mas por necessidade. É assim que desaparecem a maioria dos castelos medievais: não por guerras, mas pela lógica quotidiana de reutilizar o que já não serve a ninguém.

As últimas explorações arqueológicas documentadas realizaram-se em 1977 e 1979, coordenadas por José María Luzón Nogué e Francisco Javier Sánchez-Palencia. Os seus resultados foram publicados em 1980 no livro El Caurel (Ministério da Cultura).

Lendas: Dona Ilduara e o Conde de Lemos

Nenhum castelo medieval que se preze chega até hoje sem a sua lenda. A do Carbedo gira em torno de Dona Ilduara, que segundo a tradição local habitava a fortaleza e recebia as visitas do Conde de Lemos. Um amor impossível entre os muros de uma serra remota.

A figura de Dona Ilduara não ficou apenas no folclore: chegou aos versos de Uxío Novoneyra (Parada de Moreda, 1930 – Santiago de Compostela, 1999), o poeta da O Courel por excelência, cuja obra Os Eidos. Libro do Courel (1955–1981) é, para muitos, a melhor expressão literária que existe desta terra. Que um poeta da sua craveira a imortalizasse diz muito da força que esta história tem na memória coletiva da serra.

O envolvente arqueológico: o Monte Cido e a herança romana

O Castillo de Carbedo não está só na paisagem. Ao seu redor existe um envolvente arqueológico de primeiro nível que poucos conhecem.

No vizinho Monte Cido (1.009 metros), em 1959 apareceram as primeiras amostras de escrita documental romana do noroeste peninsular: uma Tábua de Hospitalidade de bronze do ano 28 d.C. que recolhe um pacto entre os Susarros e os Lougei. Junto a ela, uma águia de bronze de um lábaro romano. Ambas as peças conservam-se no Museo Provincial de Lugo — entrada gratuita, por sinal, se algum dia passares pela capital. Em 1984 apareceu uma segunda tábua, que hoje está no Museo Arqueológico e Histórico do Castelo de San Antón, na Corunha.

O historiador Vázquez Castro aponta que pode ter existido uma segunda fortaleza na zona de Esperante, erguida no século XIV pelo fidalgo García Rodríguez de Valcárcel. As hipóteses apontam para o castro de Torre Cabreira (Monte Cido) e para o castro da Devesa do Rei, onde se conservam restos de edificações quadrangulares de tamanho considerável.

O Courel: contexto natural e patrimonial

O Castillo de Carbedo em O Courel não seria o que é se não estivesse onde está. A Serra do Courel ocupa 21.020 hectares no sudeste de Lugo e é, sem exagero, um dos territórios naturais mais extraordinários da Península Ibérica. Paisagens atlânticas e mediterrânicas convivendo no mesmo mapa, a Devesa da Rogueira —a floresta autóctone mais rica da Galicia—, e mais de 170 espécies de vertebrados: lobos, martas, lontras.

Em 2021, a UNESCO declarou a Reserva da Biosfera Ribeira Sacra e Serras do Oribio e Courel, somando esta serra à Rede Mundial de Reservas da Biosfera. O território é também Geoparque Mundial da UNESCO e está incluído na Rede Natura 2000. Tudo isto num lugar que, ainda hoje, se pode percorrer sem encontrar hordas de turistas. Isso, em 2026, é um luxo.

Como visitar o Castillo de Carbedo: a Rota do Monte Cido

A melhor maneira de ver o castelo não é ir diretamente de carro até à colina. A melhor maneira é merecê-lo a caminhar, com a Rota PR-G 221 do Monte Cido.

O percurso arranca no centro de Moreda, sobe pela aldeia através do Carrozo da Gralleira —com vistas sobre o vale do Rego da Barxa e a Devesa da Rogueira que te fazem parar de repente—, percorre a crista do Monte Cido com as suas jazidas arqueológicas e a sua microrreserva de orquídeas, e desce até às ruínas do castelo antes de voltar a Moreda. Ao chegar às ruínas depois desse caminho, a experiência é completamente diferente da de um parque de estacionamento.

O castelo está protegido como Bem de Interesse Cultural sob a Lei 16/1985 de Património Histórico Espanhol. A visita é livre e gratuita durante o verão.

A Carbiña: onde ficar perto do Castillo de Carbedo

O Courel não é um destino de passagem. Não se vem aqui para ver o castelo e ir embora; vem-se para ficar, para abrandar o ritmo, para entender por que esta serra tem a capacidade de te cativar para a vida. Para isso precisas de uma base. E a melhor base que existe na zona é A Carbiña.

Cinco cabanas independentes na aldeia de Parada de Courel, a poucos quilómetros do castelo. Cada uma com o seu próprio espaço, a sua cozinha equipada, o seu aquecimento de pellets e o seu terraço. Sem paredes partilhadas com desconhecidos, sem pequenos-almoços buffet a hora fixa. Energia solar, aquecimento de biomassa e um souto de castanheiros milenares a dois passos. Manuel, o proprietário, gere as reservas diretamente, conhece cada rota da serra e sabe exatamente o que precisas para tirar o máximo proveito destes dias. Os segredos da O Courel esperam por ti!

Se quiseres mais informações: lê o artigo de La Voz de Galicia